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sábado, 25 de julho de 2009

Expectativa



Expectativa, a palavra que rege a vida de todos nós.

Vamos a dois exemplos muito interessantes.

A) Você é uma pessoa que veste roupas sóbrias, sempre muito bem arrumado, nunca fala palavrões e segue uma vida regrada pelos bons costumes.

Se um dia você passar a vestir roupas super coloridas, falar como você quiser, utilizando todas as girias e palavrões necessários para uma boa explicação e literalmente "cagando e andando" para o que os outros pensam, você provavelmente será pontuado como revoltado, ou louco, perderá o emprego e aqueles que andavam ao seu lado com sorrisos agora lhe virarão as costas.

B) Você anda com qualquer roupa, deixa a barba crescer, fala do seu jeito, ta pouco se lixando para os costumes, afinal a maioria nem sabe qual o motivo deles existirem, somente seguem "pelo menos enquanto estão em público".

Se um dia você colocar um terno, falar com o melhor português possível e ser muito educado, será considerado um rapaz brilhante, que soube se re-posicionar frente as mudanças do mundo, será promovido e ainda chamará a atenção de "novos amigos".

O que aconteceu?

Simples, o primeiro exemplo é de um cara que tiraria uma nota de avaliação de 80% de aprovação social, enquanto o outro teria aprovação na casa dos 10%.

A grande maioria das alterações de aparência e atitudes do exemplo "A", resultam em algo desagradável se comparado ao seu comportamento anterior. No caso do exemplo "B", ele pode fazer as coisas mais bizarras do mundo que serão consideradas normais para ele.

Se o exemplo "A" se vestir de forma elegante, "melhorando"seu comportamento, ele chegará a casa dos 88% de aprovação, o que resulta numa melhora de 10%. Se o exemplo "B" se vestir de forma elegante e se comportar de forma no mínimo educada, ele chegará a 80% de aprovação, o que resulta em um crescimento de 800%.

Esta é a diferença entre melhorar e ser brilhante.


sábado, 20 de junho de 2009

Sentido da Vida

Posso dizer que desde pequeno eu penso em um sentido para vida, varias teorias já foram criadas e tantas outras evoluídas.
Quando muito pequeno, não elaborava muito sobre o sentido da vida, só pensava o que eu iria brincar com os meus amigos no outro dia e quem eu poderia conhecer, passava o dia a brincar e a ir aos mercadinhos com os centavos que eu ganhava da minha tia para ver qual me dava mais balas por aquele valor.
Crescendo um pouquinho mais, já tentava formular algo, primeiro veio o clássico, "quero ser um cientista", isso porque eu ganhava muito chocolate das professoras de matemática por ganhar nas competições dentro das aulas, eu era um pequeno líder dentro da turma, isso porque quando eu ganhava eu dividia com todos, meu propósito era ganhar, não deixar os outros com vontade de comer chocolate, isso na verdade é algo cruel (sim, eu pensava isso).
Já lá na casa dos 10 anos eu tinha uma visão de ganhar, poder e dinheiro. Lembro-me de uma vez em que a professora perguntou a todos, qual a sua principal característica? Eu respondi, "ambição", nisso ela me olhou atravessado e disse que ambição não era algo bom.

Para entender um pouco isso, é necessário visualizar que eu estudava em um colégio público, onde grande parte dos estudantes iam a aula para poder almoçar e logo na esquina tinha uma boca de trafico de drogas, que durante a manhã o cheiro invadia as salas. Meu grande propósito era sair daquele lugar, pois não enxergava nada que podia servir de referencia. Talvez ai esteja o grande trunfo desta época, eu me referenciei em mim mesmo para superar a situação, não pelo que eu era como pessoa, mas pelo que eu julgava correto como pessoa, e isto eu carrego até hoje.
Crescendo mais um pouco, cheguei ao momento onde eu parei de dar importância para o mundo, não era importante chegar ao topo, nem a lugar nenhum, todo o dinheiro do mundo não significaria grande coisa, pois a vida não tinha sentido, as pessoas eram inconstantes e neste mundo podre não haveria muito que fazer (minha adolescência).
Final do segundo grau, eu só sabia que estava aqui, que o mundo não tinha sentido, que a vida não tinha sentido, mas eu estava aqui e tinha que fazer algo, não importa o que, eu tinha que crescer, chegar ao topo de algo, conhecer pessoas e fazer alguma diferença. A lógica no mundo era burra, onde as pessoas passavam à vida toda trabalhando para que seus filhos aproveitassem, mas na verdade seus filhos estavam em situação pior que a deles mesmos e seguirão este ciclo até que alguém desista ou morra no percurso. Momento da vida onde eu fazia de um tudo, mas não tinha nem idéia do por que, apenas tinha que fazer algo.
Faculdade, os três anos e meio onde mais mudei de visão em toda a minha vida, onde mais conheci pessoas interessantes e onde vi que o mundo tem solução, mas que não adianta pensar o mundo como um todo e nem em fragmentos, é preciso entender o que liga os pedaços, as relações humanas.

Quando eu entrei na faculdade eu me dei um grande objetivo:

1) Se é aqui onde os melhores estão, então eu vou trabalhar aqui. Este eu consegui, e larguei em oito meses, pois vi que não era tanto quanto eu pensava.
A partir deste objetivo eu descobri que todo o poder não tem valor algum. Lembre-se, você vai morrer em algum tempo, podem ser dias ou anos, mas você vai morrer. Há coisas que demandam tanto tempo para conquistar e manter que não são interessantes para meros mortais, a menos que não tenha amor pela própria vida, pois a irá desperdiçar nesta busca.
Depois de um tempo envolto por tantas idéias de paixão pelo próximo, altruísmo e sustentabilidade, estabeleci o objetivo de vida como "fazer os outros felizes e a partir da felicidade dos outros impulsionar a minha própria felicidade", mas tem um erro nesta frase, eu sou péssimo em me moldar aos desejos dos outros, eu amo ajudar os outros, contanto que isso não me transforme em algo que eu não sou.
Após este momento altruísta, passei para um momento onde a única coisa importante era ser feliz, mas mesmo isso evolui. Hoje eu estou em um momento onde eu só quero viver, ser eu mesmo e ver onde vai dar, quero assumir riscos, consertar erros e desmembrar acertos, sorrir para os que eu me importo e desviar os olhos do que me faz mal, o importante é viver.

Sonho

Durante a noite tive um sonho que me perturbou bastante, não só pelo conteúdo mas também pelas reflexões durante o próprio sonho e o dia que o sucedeu.

O sonho iniciou em meu quarto, onde, com pouca luz, uma forma se materializou, era com certeza uma pessoa, mas parecia possuída, esta pessoa levantou a cabeça, eu não pude ver o rosto, mas parecia deformado, neste momento esta criatura me atacou.

Lutei muito com a criatura e consegui agarrá-la de tal forma que ela não conseguisse escapar, eu estava nas costas dela, agarrando seus braços, então olhei para frente e vi um espelho, neste momento a situação ganhou importância.

No espelho, não era eu quem dominava o monstro, mas o monstro me segurava, não como alguém que tenta prender outra pessoa, mas sim que tenta impedir a outra de cometer algo.

Neste momento, um pensamento me veio a mente. "Será que eu enlouqueci e estão tentando me conter?", seguido por outro, "Será que devo soltar?", neste momento já pensava que podia estar fazendo alguém infeliz, então um último pensamento, "Será que o monstro não quer me enganar? Será que o espelho não é uma farsa?", então não soltei e ele sumiu.

Durante todo o sonho muitas outras destas aparições tentaram me atacar, em diversos locais, mas consegui me livrar de todas e seguir em frente.
Durante o dia eu tive muitos pensamentos acerca deste sonho.

Nas relações humanas e pessoais, se eu fosse me representar, eu seria uma pessoa com um grande machado sem lamina. Sou capaz de me impor e até de gerar grande impacto, mas meu objetivo não é ferir ninguém.

Nas relações profissionais eu me representaria como uma pessoa envolta em navalhas, onde eu sei que a cada passo eu posso machucar muitas outras pessoas, mesmo sem ter isto como objetivo. Tenho muita vontade de chegar ao máximo, mas nem se quer o topo me atrai.

O espelho do sonho me representou isso de uma forma interessante. Nas relações com amigos, familiares e tantas outras pessoas, vivo segurando meu instinto de colocar tudo as limpas e tirar tudo do chão para chegar a uma solução rápida e eficaz. Sei que a grande maioria das pessoas prefere ignorar seus problemas ao invés de enfrentá-los, portanto reagem muito mal ao serem expostas a sua própria realidade.

Nas relações profissionais, eu tento não sair atropelando tudo, por mais eficaz que seja. Chegar ao topo não tem valor algum, pois mesmo o poder sendo algo atraente, no final não são os cargos que te satisfazem, mas as pessoas que você conquistou no processo de evolução.

No final das contas, este sonho me mostrou que estes "monstros" são as influencias, tanto minhas sobre eu mesmo quanto das outras pessoas sobre mim, mas também me mostrou que por mais que eu tenha que desgastar muita força de vontade, eu sigo em frente conforme os meus próprios pensamentos, eu sou eu mesmo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Escolhas


Eu me lembro de quando parei na frente do computador, no final de 2005, depois de me inscrever no Prouni, olhando as possibilidades de cursos. Me lembro que eu disse pra mim mesmo que iria tentar a melhor universidade, com a filosofia de ou você luta para ser o melhor ou você não não será nada. Então me lembro de olhar os cursos de uma universidade que todos apontavam como a melhor da região, e ficar entre dois cursos, o de Turismo e o de Administração. Vamos aos fatos:

Administração: Pra quem me conheceu naquele tempo, sabe que eu estava com um estado de espirito bem insensivel, e falando bem a verdade, se eu tivesse optado pela administração eu poderia estar entre os grandes, mesmo hoje, antes de me formar, ganhando muito dinheiro e com poder de influência, mas também não seria a pessoa a se importar com os outros, eu seria o tipico empresário que destruiria patrimônios históricos e transformaria aldeias de pescadores em petroquímicas, o que importava seria enriquecer e "ser feliz". Sim, mesmo hoje com essa idéia de sustentabilidade eu me daria bem, pois para quem não entendeu o mercado, sustentabilidade como é apresentada é apenas uma marca, uma maneira de ganhar dinheiro através do peso na consciência dos outros e se promover como um herói do mundo.

Turismo: A única coisa que me vinha a cabeça era gente, muitas pessoas e sorrisos, nada mais, mas era algo que me impressionava.

Eu demorei, marquei de primeira a administração (lembre-se, vivemos no capitalismo), mas dai me veio uma coisa em mente:
Eu vou passar a vida em um escritório, ser sucedido e não poder aproveitar realmente isso, e outra, eu me conheço, eu sou mais competitivo do que consciente. Então eu desmarquei e troquei, coloquei no turismo e me joguei. Na verdade, no início eu não escolhi o turismo por ser melhor, na verdade nem tinha em mente o que raios era o turismo, mas sim por não querer ser o que eu me tornaria a serviço do capital.

Acreditava e ainda acredito que a vida não é só correr atrás de grana, que não estamos aqui para ralar com os outros, nem passar a vida para realizar planos estúpidos como ganhar o primeiro milhão, ter o carro do ano ou "ser importante" ou famoso. O que realmente importa no meu modo de pensar é melhorar a vida de todos, ser feliz, o bom da vida não custa nada e não devemos perder tempo na vida com coisas que não sejam realmente importantes.

Confesso que por muito tempo penei, achei que tinha feito a escolha errada, mas hoje penso que fiz as escolhas certas. Somente quando você vê os olhos de alguém que "renasceu" com algo de bom que você ajudou a acontecer, é que você nota o quanto você pode fazer o bem para os outros e para si mesmo e quanto isso não te custa quase nada. O turismo me oportunizou isso e com certeza sou muito grato, tanto pelas oportunidades quanto pela escolha que eu fiz lá no fim de 2005.

Eu não ganhei um centavo com o tempo que eu já dediquei para ajudar a transformar a vida dos outros, mas em compensação vivenciei experiências que nunca mais esquecerei, conheci pessoas inacreditáveis e outras tantas que ficaram marcadas na minha memória, coisas que mesmo que tivesse todo o dinheiro do mundo, provavelmente não viveria.

Posso dizer que hoje sou um sonhador, acredito em um mundo onde as pessoas se ajudarão, levando em conta que todos crescerão e não apenas alguns poucos. Isso não é socialismo nem tão pouco comunismo, mas sim um mundo em que as pessoas podem desenvolver muito mais como um grupo, como uma comunidade de cooperação e solidariedade, realizando os objetivos da comunidade e os desejos de cada um dos indivíduos. Todos crescerão, todos irão desenvolver, mas cada um a seu tempo, com a sua identidade e características próprias. E sim, isso pode acontecer mesmo no capitalismo. As grandes corporações entenderam isto, mas que pena que foi de uma forma individualista.
O que nos torna o que somos são nossos atos e nossas escolhas, acredito no carater humano, na sinseridade e na entrega sem pedir nada de volta, acredito que possamos ser melhores do que somos, é preciso apenas escolher.

domingo, 26 de outubro de 2008

Vida, vivenciada ou distraida?

Hoje parei um pouco só para avaliar o que a vida nos oferece, o que é ofertado para quem não tem nada para fazer ou para quem tem muito, então me caiu um pensamento que me desnorteou bastante. A grande maioria das coisas que estão a nossa volta não passam de perda de tempo, mesmo aquilo que as pessoas consideram notícias, muitas vezes não passam de distrações. Refletindo sobre as noticias, sabemos que o mundo hoje é globalizado, que as informações de qualquer lugar do mundo podem ser acessadas em questão de segundos, mas a grande questão é:

Estas informações são importantes?

Não! Eu acredito que a maioria delas sejam só distrações, para tentar tornar a vida das pessoas um pouco mais agitada, mostrando diferentes realidades e o "mundo lá fora", mas para quem já foi até a esquina e voltou, sabe que o que é retratado pelos canais de comunicação é apenas uma centelha do fogo que é a experiência de vivenciar. Muitas das possibilidades disponibilizadas pelos meios apresentam as distrações como entretenimento.

Agora, conte um pouco o tempo do seu dia, veja o quanto é apenas uma distração e o quanto é realmente útil na sua vida? A partir disto me deparei com outro questionamento: Qual o papel do entretenimento? Entreter é distrair?

Acredito que entreter seja tornar um momento da vida das pessoas mais interessante para elas mesmas, no plano subjetivo, possibilitando que estas pessoas tenham acesso aquilo que elas necessitam naquele momento, nem que elas mesmas não tenham em mente que era aquilo uma das coisas que elas desejavam, mas que apenas faça o dia destas pessoas mais feliz, lembrando é claro que não podemos ter tudo que desejamos.

Agora olhando por este lado, na verdade a oferta atual não é feita de entretenimento, mas sim de distrações, que nos fazem perder o dia em coisas extremamente perecíveis que não agregam de forma satisfatória para a nossa vida. Com isto em mente, seguiu mais um questionamento:

Qual o nosso papel neste mundo?

No paradigma, em princípio as pessoas deveriam, durante a infância, brincar e conviver com outras pessoas, estudar e ser educado, tanto em casa quanto nos ambientes que elas freqüentarem, com o passar do tempo e a chegada da adolescência, as interações com outras pessoas deveriam ser intensificadas, começariam as projeções para o futuro, as ficadas e namoros, com o passar da adolescência, a necessidade de trabalhar, ser independente e aplicar os desejos em sua vida, fase esta caracterizada por grandes vitórias e decepções, sem nunca se esquecer dos estudos. Então chega a vida adulta, onde você precisa trabalhar e caso seja casado, se prospectam filhos, então, caso tenha seus filhos, você se vê obrigado a trabalhar ainda mais para sustentar e dar oportunidades aos filhos. Com 65 anos (homem), você pode se aposentar (Brasil) e "aproveitar" a sua vida ou o tempo que resta dela ou da sua saúde.

Mas aplicando a nossa querida e atual vida, na infância, você é preparado para viver em sociedade e para que possa, no futuro, integrar a força de trabalho, já com questão de relacionamento, os meios eletrônicos e de distração se tornaram fontes, muito por culpa dos pais, o que transformou as crianças em pessoas introspectivas, mas que naquele momento não as afetara tanto, mas ai chega a adolescência, onde aquela não experiência com outras pessoas mostra seus efeitos colaterais, gerando pessoas com baixa auto-estima, desestabilizadas e/ou extremamente preocupadas com a imagem, neste último caso porquê só conseguem enxergar o lado de fora das relações. A "qualificação" continua e as pessoas começam a se dar conta que terão que entrar neste mundo e se sujeitar a ele, o que gera confusões e revoltas.

Então chega a fase adulta, adultos morando com os pais, desestruturados emocionalmente para seguir em frente sozinhos e com a perspectiva de trabalhar a vida inteira para tentar sair do chão, coisa que muito poucos conseguem e outros tantos nem se quer acreditam, então envelhecem, com o discurso que aproveitaram à vida, que na verdade não foi, em sua grande parte vivenciada, mas sim distraída e no fim morrem, passando este ciclo para os filhos, que terão, possivelmente, um futuro pior do que o deles.

Já passou pela cabeça que a vida está passando? Qual é o nosso futuro? A vida é só isto?

A vida atual, em sua totalidade, é muito pouco aproveitável, talvez por não pararmos de olhar o "destino" como ele é dado, como um modelinho a seguir, ao invés de ouvirmos a nós mesmos sobre o que é melhor para a nossa vida e também por associarmos os nossos desejos ao modelinho que nos é entregue. Sim, pois muitos dos desejos, sonhos de consumo, são apenas o que a sociedade influencia, por exemplo, o sonho de muitos se torna um carro, mas não na verdade por facilidade de locomoção, mas sim pela necessidade de ter, ou ter uma casa própria alegando independência, mas passam todos os dias na casa dos pais, ou pior, são sustentados mesmo ao sair de casa.

Eu estou fazendo esta análise a partir de uma observação da atual geração de crianças e adolescentes, mas não é nada raro encontrar na minha geração pessoas com estas características.

Sempre ouvi as pessoas dizendo que são pessoas do mundo, que a vida delas pertence ao mundo, mas eu discordo, a vida pertence a nós mesmos e o mundo ta ai para tentar nos tornar apenas mais um entre quase 7 bilhões, o mais triste é que, na grande maioria dos casos, ele consegue.

Repense o porquê da sua existência.

Não basta existir!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Tô Pagando


Hoje vou comentar um pouco sobre como as pessoas estão desvalorizando e, por que não, desrespeitando umas as outras devido a fatores econômicos que, pelo menos a meu ver, é uma grande prova de ignorância e irracionalidade diante da realidade que estamos vivendo. O seu dinheiro vale mais que uma pessoa?

Não é nada incomum ver pessoas se julgando corretas ao serem estúpidas e demonstrando sua falta de educação com aqueles que as atendem em serviços, estabelecimentos comerciais e em prédios do poder público, só pelo fato de estarem pagando por um serviço, sendo que quando o ataque é contra atendentes do serviço público, argumentam que pagam impostos, mesmo que nunca antes tenham utilizado isto para requerer mudanças na política pública.

Mas para aqueles que estão míopes e ainda pensam que, só por pagar por um serviço podem, ignorando o ser humano que o recebe, descarregar o ódio de toda a sua vida sem sentido, vamos a alguns questionamentos:

Em primeiro lugar, quem é a pessoa que está na sua frente?
Normalmente é alguém que está na área de atendimento, sendo este o caso, parem para olhar o organograma de empresas e verão que os atendentes normalmente não tem poder de decisão nas empresas, portanto, as pessoas gritam, se esperneiam e as vezes até agridem aqueles que na verdade estão ali só para pagar suas contas e ajudar a sustentar a si mesmo e a própria família.

Já lhe passou pela cabeça que toda vez que você grita com um atendente, você pode estar ofendendo a pessoa errada? Já pensou que a menina no telefone não tem culpa de a empresa dela ter a política de infernizar a vida dos outros para tentar vender mais? Já pensou que o cobrador não tem culpa pelo ônibus ter estragado, atrasado ou pelo aumento na passagem? Alguma vez pensou que a menina do balcão de atendimento não pilota aeronaves e portanto não tem nada a ver com o atraso do avião e muito menos pela queda de um deles? Após estes questionamentos, pare e tente responder, por que as pessoas continuam pensando que por estarem comprando algo, tem o direito de fazer alguém que nada tem a ver com isto, simplesmente sofrer.

Você alguma vez parou para pensar que empresas são pessoas jurídicas, com direitos e deveres, mas que não ouvem seus gritos e não sentem seus tapas, bem pelo contrario, ela simplesmente usa seus "peões" para que os clientes possam descarregar sua raiva e assim voltar a comprar quando estiverem mais calmos.

Quem é o vilão desta história?

domingo, 12 de outubro de 2008

Liberdade


É triste pensar como as pessoas perdem grandes oportunidades de vida só por estarem preocupadas com o que os outros irão pensar, como a livre vida na verdade está bem acorrentada pela necessidade de parecer alguém ao menos para um grupo de pessoas ou pelo desejo de ser importante nesta vida e fazer a diferença, mas é mais desolador perceber que a vida de uma parcela da população está sem sentido e, na tentativa de fuga deste calabouço, estão se agarrando a oportunidades de tornar a vida dos outros a sua própria, ou a rotina de um grupo o porquê de sua existência.

O ideal de pertencer é uma necessidade humana, mas também uma ferramenta de repressão bem elaborada, pois obriga (há exceções), as pessoas se portarem conforme os mandamentos da sociedade ou de um grupo, o que é bem visível quando se pensa em um processo histórico, onde a realeza era considerada o modelo de etiqueta e costumes (no sentido de parecer), e a população, para se sentir mais nobre, tentava copiar estas regras sempre que possível, já pensando na atualidade onde em muitos países o paradigma da paz e da não-violência são práticas da sociedade, não é difícil entender porquê pequenos grupos de pessoas conseguem dominar grupos de milhões de indivíduos.

Inserida na atual realidade econômica, a liberdade é muitas vezes referida como o ter, equilibrando as necessidades pessoais de ser aceito e de aceitar, o que em alguns momentos é engraçado, quando se ouve alguém comentar que sairá da casa dos pais e conseguirá a sua liberdade, mesmo sabendo que antes de dizer que tem esta liberdade, terá que pagar as inúmeras contas desta nova casa e desta "nova" vida.
É interessante ver como o sentido de liberdade está se diluindo a cada ano que passa e como a população está imersa em um falso desprendimento do mundo, no sentido de algo como, "eu sou livre para escolher o meu caminho". Será mesmo?
Afinal, de quem é a experiência de vida?

"O que você deixa para trás não é o que é gravado em monumentos de pedra, mas o que é tecido nas vidas de outros." (Péricles)