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sábado, 20 de junho de 2009

Sentido da Vida

Posso dizer que desde pequeno eu penso em um sentido para vida, varias teorias já foram criadas e tantas outras evoluídas.
Quando muito pequeno, não elaborava muito sobre o sentido da vida, só pensava o que eu iria brincar com os meus amigos no outro dia e quem eu poderia conhecer, passava o dia a brincar e a ir aos mercadinhos com os centavos que eu ganhava da minha tia para ver qual me dava mais balas por aquele valor.
Crescendo um pouquinho mais, já tentava formular algo, primeiro veio o clássico, "quero ser um cientista", isso porque eu ganhava muito chocolate das professoras de matemática por ganhar nas competições dentro das aulas, eu era um pequeno líder dentro da turma, isso porque quando eu ganhava eu dividia com todos, meu propósito era ganhar, não deixar os outros com vontade de comer chocolate, isso na verdade é algo cruel (sim, eu pensava isso).
Já lá na casa dos 10 anos eu tinha uma visão de ganhar, poder e dinheiro. Lembro-me de uma vez em que a professora perguntou a todos, qual a sua principal característica? Eu respondi, "ambição", nisso ela me olhou atravessado e disse que ambição não era algo bom.

Para entender um pouco isso, é necessário visualizar que eu estudava em um colégio público, onde grande parte dos estudantes iam a aula para poder almoçar e logo na esquina tinha uma boca de trafico de drogas, que durante a manhã o cheiro invadia as salas. Meu grande propósito era sair daquele lugar, pois não enxergava nada que podia servir de referencia. Talvez ai esteja o grande trunfo desta época, eu me referenciei em mim mesmo para superar a situação, não pelo que eu era como pessoa, mas pelo que eu julgava correto como pessoa, e isto eu carrego até hoje.
Crescendo mais um pouco, cheguei ao momento onde eu parei de dar importância para o mundo, não era importante chegar ao topo, nem a lugar nenhum, todo o dinheiro do mundo não significaria grande coisa, pois a vida não tinha sentido, as pessoas eram inconstantes e neste mundo podre não haveria muito que fazer (minha adolescência).
Final do segundo grau, eu só sabia que estava aqui, que o mundo não tinha sentido, que a vida não tinha sentido, mas eu estava aqui e tinha que fazer algo, não importa o que, eu tinha que crescer, chegar ao topo de algo, conhecer pessoas e fazer alguma diferença. A lógica no mundo era burra, onde as pessoas passavam à vida toda trabalhando para que seus filhos aproveitassem, mas na verdade seus filhos estavam em situação pior que a deles mesmos e seguirão este ciclo até que alguém desista ou morra no percurso. Momento da vida onde eu fazia de um tudo, mas não tinha nem idéia do por que, apenas tinha que fazer algo.
Faculdade, os três anos e meio onde mais mudei de visão em toda a minha vida, onde mais conheci pessoas interessantes e onde vi que o mundo tem solução, mas que não adianta pensar o mundo como um todo e nem em fragmentos, é preciso entender o que liga os pedaços, as relações humanas.

Quando eu entrei na faculdade eu me dei um grande objetivo:

1) Se é aqui onde os melhores estão, então eu vou trabalhar aqui. Este eu consegui, e larguei em oito meses, pois vi que não era tanto quanto eu pensava.
A partir deste objetivo eu descobri que todo o poder não tem valor algum. Lembre-se, você vai morrer em algum tempo, podem ser dias ou anos, mas você vai morrer. Há coisas que demandam tanto tempo para conquistar e manter que não são interessantes para meros mortais, a menos que não tenha amor pela própria vida, pois a irá desperdiçar nesta busca.
Depois de um tempo envolto por tantas idéias de paixão pelo próximo, altruísmo e sustentabilidade, estabeleci o objetivo de vida como "fazer os outros felizes e a partir da felicidade dos outros impulsionar a minha própria felicidade", mas tem um erro nesta frase, eu sou péssimo em me moldar aos desejos dos outros, eu amo ajudar os outros, contanto que isso não me transforme em algo que eu não sou.
Após este momento altruísta, passei para um momento onde a única coisa importante era ser feliz, mas mesmo isso evolui. Hoje eu estou em um momento onde eu só quero viver, ser eu mesmo e ver onde vai dar, quero assumir riscos, consertar erros e desmembrar acertos, sorrir para os que eu me importo e desviar os olhos do que me faz mal, o importante é viver.

Sonho

Durante a noite tive um sonho que me perturbou bastante, não só pelo conteúdo mas também pelas reflexões durante o próprio sonho e o dia que o sucedeu.

O sonho iniciou em meu quarto, onde, com pouca luz, uma forma se materializou, era com certeza uma pessoa, mas parecia possuída, esta pessoa levantou a cabeça, eu não pude ver o rosto, mas parecia deformado, neste momento esta criatura me atacou.

Lutei muito com a criatura e consegui agarrá-la de tal forma que ela não conseguisse escapar, eu estava nas costas dela, agarrando seus braços, então olhei para frente e vi um espelho, neste momento a situação ganhou importância.

No espelho, não era eu quem dominava o monstro, mas o monstro me segurava, não como alguém que tenta prender outra pessoa, mas sim que tenta impedir a outra de cometer algo.

Neste momento, um pensamento me veio a mente. "Será que eu enlouqueci e estão tentando me conter?", seguido por outro, "Será que devo soltar?", neste momento já pensava que podia estar fazendo alguém infeliz, então um último pensamento, "Será que o monstro não quer me enganar? Será que o espelho não é uma farsa?", então não soltei e ele sumiu.

Durante todo o sonho muitas outras destas aparições tentaram me atacar, em diversos locais, mas consegui me livrar de todas e seguir em frente.
Durante o dia eu tive muitos pensamentos acerca deste sonho.

Nas relações humanas e pessoais, se eu fosse me representar, eu seria uma pessoa com um grande machado sem lamina. Sou capaz de me impor e até de gerar grande impacto, mas meu objetivo não é ferir ninguém.

Nas relações profissionais eu me representaria como uma pessoa envolta em navalhas, onde eu sei que a cada passo eu posso machucar muitas outras pessoas, mesmo sem ter isto como objetivo. Tenho muita vontade de chegar ao máximo, mas nem se quer o topo me atrai.

O espelho do sonho me representou isso de uma forma interessante. Nas relações com amigos, familiares e tantas outras pessoas, vivo segurando meu instinto de colocar tudo as limpas e tirar tudo do chão para chegar a uma solução rápida e eficaz. Sei que a grande maioria das pessoas prefere ignorar seus problemas ao invés de enfrentá-los, portanto reagem muito mal ao serem expostas a sua própria realidade.

Nas relações profissionais, eu tento não sair atropelando tudo, por mais eficaz que seja. Chegar ao topo não tem valor algum, pois mesmo o poder sendo algo atraente, no final não são os cargos que te satisfazem, mas as pessoas que você conquistou no processo de evolução.

No final das contas, este sonho me mostrou que estes "monstros" são as influencias, tanto minhas sobre eu mesmo quanto das outras pessoas sobre mim, mas também me mostrou que por mais que eu tenha que desgastar muita força de vontade, eu sigo em frente conforme os meus próprios pensamentos, eu sou eu mesmo.