form>

domingo, 26 de outubro de 2008

Vida, vivenciada ou distraida?

Hoje parei um pouco só para avaliar o que a vida nos oferece, o que é ofertado para quem não tem nada para fazer ou para quem tem muito, então me caiu um pensamento que me desnorteou bastante. A grande maioria das coisas que estão a nossa volta não passam de perda de tempo, mesmo aquilo que as pessoas consideram notícias, muitas vezes não passam de distrações. Refletindo sobre as noticias, sabemos que o mundo hoje é globalizado, que as informações de qualquer lugar do mundo podem ser acessadas em questão de segundos, mas a grande questão é:

Estas informações são importantes?

Não! Eu acredito que a maioria delas sejam só distrações, para tentar tornar a vida das pessoas um pouco mais agitada, mostrando diferentes realidades e o "mundo lá fora", mas para quem já foi até a esquina e voltou, sabe que o que é retratado pelos canais de comunicação é apenas uma centelha do fogo que é a experiência de vivenciar. Muitas das possibilidades disponibilizadas pelos meios apresentam as distrações como entretenimento.

Agora, conte um pouco o tempo do seu dia, veja o quanto é apenas uma distração e o quanto é realmente útil na sua vida? A partir disto me deparei com outro questionamento: Qual o papel do entretenimento? Entreter é distrair?

Acredito que entreter seja tornar um momento da vida das pessoas mais interessante para elas mesmas, no plano subjetivo, possibilitando que estas pessoas tenham acesso aquilo que elas necessitam naquele momento, nem que elas mesmas não tenham em mente que era aquilo uma das coisas que elas desejavam, mas que apenas faça o dia destas pessoas mais feliz, lembrando é claro que não podemos ter tudo que desejamos.

Agora olhando por este lado, na verdade a oferta atual não é feita de entretenimento, mas sim de distrações, que nos fazem perder o dia em coisas extremamente perecíveis que não agregam de forma satisfatória para a nossa vida. Com isto em mente, seguiu mais um questionamento:

Qual o nosso papel neste mundo?

No paradigma, em princípio as pessoas deveriam, durante a infância, brincar e conviver com outras pessoas, estudar e ser educado, tanto em casa quanto nos ambientes que elas freqüentarem, com o passar do tempo e a chegada da adolescência, as interações com outras pessoas deveriam ser intensificadas, começariam as projeções para o futuro, as ficadas e namoros, com o passar da adolescência, a necessidade de trabalhar, ser independente e aplicar os desejos em sua vida, fase esta caracterizada por grandes vitórias e decepções, sem nunca se esquecer dos estudos. Então chega a vida adulta, onde você precisa trabalhar e caso seja casado, se prospectam filhos, então, caso tenha seus filhos, você se vê obrigado a trabalhar ainda mais para sustentar e dar oportunidades aos filhos. Com 65 anos (homem), você pode se aposentar (Brasil) e "aproveitar" a sua vida ou o tempo que resta dela ou da sua saúde.

Mas aplicando a nossa querida e atual vida, na infância, você é preparado para viver em sociedade e para que possa, no futuro, integrar a força de trabalho, já com questão de relacionamento, os meios eletrônicos e de distração se tornaram fontes, muito por culpa dos pais, o que transformou as crianças em pessoas introspectivas, mas que naquele momento não as afetara tanto, mas ai chega a adolescência, onde aquela não experiência com outras pessoas mostra seus efeitos colaterais, gerando pessoas com baixa auto-estima, desestabilizadas e/ou extremamente preocupadas com a imagem, neste último caso porquê só conseguem enxergar o lado de fora das relações. A "qualificação" continua e as pessoas começam a se dar conta que terão que entrar neste mundo e se sujeitar a ele, o que gera confusões e revoltas.

Então chega a fase adulta, adultos morando com os pais, desestruturados emocionalmente para seguir em frente sozinhos e com a perspectiva de trabalhar a vida inteira para tentar sair do chão, coisa que muito poucos conseguem e outros tantos nem se quer acreditam, então envelhecem, com o discurso que aproveitaram à vida, que na verdade não foi, em sua grande parte vivenciada, mas sim distraída e no fim morrem, passando este ciclo para os filhos, que terão, possivelmente, um futuro pior do que o deles.

Já passou pela cabeça que a vida está passando? Qual é o nosso futuro? A vida é só isto?

A vida atual, em sua totalidade, é muito pouco aproveitável, talvez por não pararmos de olhar o "destino" como ele é dado, como um modelinho a seguir, ao invés de ouvirmos a nós mesmos sobre o que é melhor para a nossa vida e também por associarmos os nossos desejos ao modelinho que nos é entregue. Sim, pois muitos dos desejos, sonhos de consumo, são apenas o que a sociedade influencia, por exemplo, o sonho de muitos se torna um carro, mas não na verdade por facilidade de locomoção, mas sim pela necessidade de ter, ou ter uma casa própria alegando independência, mas passam todos os dias na casa dos pais, ou pior, são sustentados mesmo ao sair de casa.

Eu estou fazendo esta análise a partir de uma observação da atual geração de crianças e adolescentes, mas não é nada raro encontrar na minha geração pessoas com estas características.

Sempre ouvi as pessoas dizendo que são pessoas do mundo, que a vida delas pertence ao mundo, mas eu discordo, a vida pertence a nós mesmos e o mundo ta ai para tentar nos tornar apenas mais um entre quase 7 bilhões, o mais triste é que, na grande maioria dos casos, ele consegue.

Repense o porquê da sua existência.

Não basta existir!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Tô Pagando


Hoje vou comentar um pouco sobre como as pessoas estão desvalorizando e, por que não, desrespeitando umas as outras devido a fatores econômicos que, pelo menos a meu ver, é uma grande prova de ignorância e irracionalidade diante da realidade que estamos vivendo. O seu dinheiro vale mais que uma pessoa?

Não é nada incomum ver pessoas se julgando corretas ao serem estúpidas e demonstrando sua falta de educação com aqueles que as atendem em serviços, estabelecimentos comerciais e em prédios do poder público, só pelo fato de estarem pagando por um serviço, sendo que quando o ataque é contra atendentes do serviço público, argumentam que pagam impostos, mesmo que nunca antes tenham utilizado isto para requerer mudanças na política pública.

Mas para aqueles que estão míopes e ainda pensam que, só por pagar por um serviço podem, ignorando o ser humano que o recebe, descarregar o ódio de toda a sua vida sem sentido, vamos a alguns questionamentos:

Em primeiro lugar, quem é a pessoa que está na sua frente?
Normalmente é alguém que está na área de atendimento, sendo este o caso, parem para olhar o organograma de empresas e verão que os atendentes normalmente não tem poder de decisão nas empresas, portanto, as pessoas gritam, se esperneiam e as vezes até agridem aqueles que na verdade estão ali só para pagar suas contas e ajudar a sustentar a si mesmo e a própria família.

Já lhe passou pela cabeça que toda vez que você grita com um atendente, você pode estar ofendendo a pessoa errada? Já pensou que a menina no telefone não tem culpa de a empresa dela ter a política de infernizar a vida dos outros para tentar vender mais? Já pensou que o cobrador não tem culpa pelo ônibus ter estragado, atrasado ou pelo aumento na passagem? Alguma vez pensou que a menina do balcão de atendimento não pilota aeronaves e portanto não tem nada a ver com o atraso do avião e muito menos pela queda de um deles? Após estes questionamentos, pare e tente responder, por que as pessoas continuam pensando que por estarem comprando algo, tem o direito de fazer alguém que nada tem a ver com isto, simplesmente sofrer.

Você alguma vez parou para pensar que empresas são pessoas jurídicas, com direitos e deveres, mas que não ouvem seus gritos e não sentem seus tapas, bem pelo contrario, ela simplesmente usa seus "peões" para que os clientes possam descarregar sua raiva e assim voltar a comprar quando estiverem mais calmos.

Quem é o vilão desta história?

domingo, 12 de outubro de 2008

Liberdade


É triste pensar como as pessoas perdem grandes oportunidades de vida só por estarem preocupadas com o que os outros irão pensar, como a livre vida na verdade está bem acorrentada pela necessidade de parecer alguém ao menos para um grupo de pessoas ou pelo desejo de ser importante nesta vida e fazer a diferença, mas é mais desolador perceber que a vida de uma parcela da população está sem sentido e, na tentativa de fuga deste calabouço, estão se agarrando a oportunidades de tornar a vida dos outros a sua própria, ou a rotina de um grupo o porquê de sua existência.

O ideal de pertencer é uma necessidade humana, mas também uma ferramenta de repressão bem elaborada, pois obriga (há exceções), as pessoas se portarem conforme os mandamentos da sociedade ou de um grupo, o que é bem visível quando se pensa em um processo histórico, onde a realeza era considerada o modelo de etiqueta e costumes (no sentido de parecer), e a população, para se sentir mais nobre, tentava copiar estas regras sempre que possível, já pensando na atualidade onde em muitos países o paradigma da paz e da não-violência são práticas da sociedade, não é difícil entender porquê pequenos grupos de pessoas conseguem dominar grupos de milhões de indivíduos.

Inserida na atual realidade econômica, a liberdade é muitas vezes referida como o ter, equilibrando as necessidades pessoais de ser aceito e de aceitar, o que em alguns momentos é engraçado, quando se ouve alguém comentar que sairá da casa dos pais e conseguirá a sua liberdade, mesmo sabendo que antes de dizer que tem esta liberdade, terá que pagar as inúmeras contas desta nova casa e desta "nova" vida.
É interessante ver como o sentido de liberdade está se diluindo a cada ano que passa e como a população está imersa em um falso desprendimento do mundo, no sentido de algo como, "eu sou livre para escolher o meu caminho". Será mesmo?
Afinal, de quem é a experiência de vida?

"O que você deixa para trás não é o que é gravado em monumentos de pedra, mas o que é tecido nas vidas de outros." (Péricles)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mundo Mundo Meu começa a orbitar o seu planeta


Em primeiro lugar já vou agradecendo a todos que me fizeram tirar o blog do papel e colocar na rede (não, não vou citar nomes mas essas pessoas já sabem).

Vou iniciar com algo que me bateu a cabeça por muito tempo e cheguei a uma resposta convincente (pelo menos pra mim) a alguns dias.

Por que as pessoas fazem coisas juntas quando poderiam fazer melhor sozinhas?

Sempre pensei que as pessoas faziam isto para dividir o trabalho, ou em certos casos onde o conhecimento se completa, mas depois de muito pensar e trabalhar com grandes grupos de pessoas amontoadas e nervosas em diferentes tempos, me veio a resposta.

Motivação

Vamos a um exemplo bem simples, o estádio de futebol.
Eu, que nunca fui de parar pra olhar jogo na TV e muito menos torcer feito um desvairado, e pior ainda, nem se quer sei a escalação do time, senti o peso da motivação ao ir a um estádio (recomendo os lugares ao lado da geral), as pessoas se contagiam, gritam, eu gritei, torci, até sofri com alguns lances, e após este jogo, sabe o que mudou em relação ao futebol pra mim? Nada. O que contagia não é o jogo e sim a torcida, são as pessoas que gritam, pulam, cantam.

O mesmo acontece quando se trabalha em eventos, muitas pessoas trabalhando, um tensão sempre tenta se instalar entre os viventes, mas ai entra aquela conversa descontraída nos momentos oportunos, aquela historinha que aconteceu do outro lado da cidade ou do próprio evento, e tudo se torna mais interessante, você atende as pessoas com um sorriso verdadeiro, as pessoas brilham.

Em casos mais domésticos isso muito quando estamos indecisos, como por exemplo:
Fulano vem e te convida pra ir pra praia no find (inverno no RS), tu sabe que vai ser horrível, não tem nada nem ninguém na praia, ai vem mais dez pessoas te dizendo VAMOS, VAMOS, VAMOS, ai você é contagiado e vai. O find foi horrível, frio, ficou todo mundo quieto dentro da casa, tu pegou uma baita duma gripe, mas na outra semana acontece o convite de novo, e você é contagiado...

Nós vivemos em sociedade, o sentido é conviver e se divertir, muitas vezes vamos para lados que não foram os melhores, mas isso é parte da experiência de vida, na melhor das hipóteses, você vai ter o que contar, "Puts, eu me lembro de quando a gente ficou preso numa casa lá no raio que o parta", por pior que seja, ainda é melhor que " Ahh, eu me lembro, eu fiquei em casa.

Antes de fazer algo sozinho, se pergunte o que tem a perder fazendo com outras pessoas, abrace o mundo e deixe ser abraçado.