Hoje parei um pouco só para avaliar o que a vida nos oferece, o que é ofertado para quem não tem nada para fazer ou para quem tem muito, então me caiu um pensamento que me desnorteou bastante. A grande maioria das coisas que estão a nossa volta não passam de perda de tempo, mesmo aquilo que as pessoas consideram notícias, muitas vezes não passam de distrações. Refletindo sobre as noticias, sabemos que o mundo hoje é globalizado, que as informações de qualquer lugar do mundo podem ser acessadas em questão de segundos, mas a grande questão é:Estas informações são importantes?
Não! Eu acredito que a maioria delas sejam só distrações, para tentar tornar a vida das pessoas um pouco mais agitada, mostrando diferentes realidades e o "mundo lá fora", mas para quem já foi até a esquina e voltou, sabe que o que é retratado pelos canais de comunicação é apenas uma centelha do fogo que é a experiência de vivenciar. Muitas das possibilidades disponibilizadas pelos meios apresentam as distrações como entretenimento.
Agora, conte um pouco o tempo do seu dia, veja o quanto é apenas uma distração e o quanto é realmente útil na sua vida? A partir disto me deparei com outro questionamento: Qual o papel do entretenimento? Entreter é distrair?
Acredito que entreter seja tornar um momento da vida das pessoas mais interessante para elas mesmas, no plano subjetivo, possibilitando que estas pessoas tenham acesso aquilo que elas necessitam naquele momento, nem que elas mesmas não tenham em mente que era aquilo uma das coisas que elas desejavam, mas que apenas faça o dia destas pessoas mais feliz, lembrando é claro que não podemos ter tudo que desejamos.
Agora olhando por este lado, na verdade a oferta atual não é feita de entretenimento, mas sim de distrações, que nos fazem perder o dia em coisas extremamente perecíveis que não agregam de forma satisfatória para a nossa vida. Com isto em mente, seguiu mais um questionamento:
Qual o nosso papel neste mundo?
No paradigma, em princípio as pessoas deveriam, durante a infância, brincar e conviver com outras pessoas, estudar e ser educado, tanto em casa quanto nos ambientes que elas freqüentarem, com o passar do tempo e a chegada da adolescência, as interações com outras pessoas deveriam ser intensificadas, começariam as projeções para o futuro, as ficadas e namoros, com o passar da adolescência, a necessidade de trabalhar, ser independente e aplicar os desejos em sua vida, fase esta caracterizada por grandes vitórias e decepções, sem nunca se esquecer dos estudos. Então chega a vida adulta, onde você precisa trabalhar e caso seja casado, se prospectam filhos, então, caso tenha seus filhos, você se vê obrigado a trabalhar ainda mais para sustentar e dar oportunidades aos filhos. Com 65 anos (homem), você pode se aposentar (Brasil) e "aproveitar" a sua vida ou o tempo que resta dela ou da sua saúde.
Mas aplicando a nossa querida e atual vida, na infância, você é preparado para viver em sociedade e para que possa, no futuro, integrar a força de trabalho, já com questão de relacionamento, os meios eletrônicos e de distração se tornaram fontes, muito por culpa dos pais, o que transformou as crianças em pessoas introspectivas, mas que naquele momento não as afetara tanto, mas ai chega a adolescência, onde aquela não experiência com outras pessoas mostra seus efeitos colaterais, gerando pessoas com baixa auto-estima, desestabilizadas e/ou extremamente preocupadas com a imagem, neste último caso porquê só conseguem enxergar o lado de fora das relações. A "qualificação" continua e as pessoas começam a se dar conta que terão que entrar neste mundo e se sujeitar a ele, o que gera confusões e revoltas.
Então chega a fase adulta, adultos morando com os pais, desestruturados emocionalmente para seguir em frente sozinhos e com a perspectiva de trabalhar a vida inteira para tentar sair do chão, coisa que muito poucos conseguem e outros tantos nem se quer acreditam, então envelhecem, com o discurso que aproveitaram à vida, que na verdade não foi, em sua grande parte vivenciada, mas sim distraída e no fim morrem, passando este ciclo para os filhos, que terão, possivelmente, um futuro pior do que o deles.
Já passou pela cabeça que a vida está passando? Qual é o nosso futuro? A vida é só isto?
A vida atual, em sua totalidade, é muito pouco aproveitável, talvez por não pararmos de olhar o "destino" como ele é dado, como um modelinho a seguir, ao invés de ouvirmos a nós mesmos sobre o que é melhor para a nossa vida e também por associarmos os nossos desejos ao modelinho que nos é entregue. Sim, pois muitos dos desejos, sonhos de consumo, são apenas o que a sociedade influencia, por exemplo, o sonho de muitos se torna um carro, mas não na verdade por facilidade de locomoção, mas sim pela necessidade de ter, ou ter uma casa própria alegando independência, mas passam todos os dias na casa dos pais, ou pior, são sustentados mesmo ao sair de casa.
Eu estou fazendo esta análise a partir de uma observação da atual geração de crianças e adolescentes, mas não é nada raro encontrar na minha geração pessoas com estas características.
Sempre ouvi as pessoas dizendo que são pessoas do mundo, que a vida delas pertence ao mundo, mas eu discordo, a vida pertence a nós mesmos e o mundo ta ai para tentar nos tornar apenas mais um entre quase 7 bilhões, o mais triste é que, na grande maioria dos casos, ele consegue.
Repense o porquê da sua existência.
Não basta existir!


